Galo-da-campina
Paroaria dominicana
Também chamada de cardeal-do-nordeste, cardeal-da-caatinga, galo-de-campina.
Endêmico do Nordeste, exibe cabeça vermelho-escarlate, dorso negro e ventre branco: é a ave mais emblemática da Caatinga.

Via Wikimedia Commons
- Nome científico
- Paroaria dominicana
- Família
- Traupídeos (Thraupidae)
- Ordem
- Passeriformes
- Tamanho
- 16 a 18 cm de comprimento total
- Peso
- 22 a 28 g
- Envergadura
- cerca de 25 cm
- Alimentação
- Granívora, Frugívora, Insetívora
- Atividade
- Diurna
- Conservação
- Pouco preocupante
Descrição geral
O galo-da-campina tem um dos padrões mais nítidos e elegantes da avifauna brasileira: toda a cabeça e a garganta em vermelho-escarlate intenso, o dorso e as asas em negro profundo e todo o ventre em branco puro. A separação entre as três cores é abrupta, sem gradação.
É a ave que mais representa a Caatinga no imaginário popular do Nordeste, presente em música, artesanato e literatura de cordel. Machos e fêmeas têm plumagem praticamente idêntica, o que é incomum entre aves de coloração tão vistosa.
Marcas de campo
Os detalhes que resolvem a identificação em campo, em ordem de utilidade prática.
- Cabeça e garganta vermelho-escarlate, sem topete
- Dorso e asas negros, ventre branco puro
- Separação abrupta entre as três cores
- Anda em casais e pequenos grupos, frequentemente no chão
Voz e vocalização
Canto claro e assobiado, em frases curtas repetidas, com timbre metálico. Casais vocalizam alternadamente, e o som é uma das marcas sonoras da Caatinga.
Características físicas
O bico é curto, cônico e robusto, com a mandíbula inferior mais clara, adequado a sementes e a frutos de casca fina. As pernas são fortes, adaptadas a forrageio no solo e em galhos baixos.
O vermelho da cabeça vem de carotenoides obtidos na dieta e é mantido com precisão notável ao longo da vida adulta. Jovens têm a cabeça pardo-alaranjada e adquirem o escarlate completo depois de alguns meses.
Habitat
Vive na Caatinga e em áreas de transição: caatinga arbórea e arbustiva, matas secas, capoeiras, carrasco, restingas do Nordeste, quintais, praças e áreas rurais com vegetação nativa remanescente.
É bem adaptado à presença humana e ocupa cidades do interior nordestino com facilidade, frequentando quintais, canteiros e áreas com árvores frutíferas. Isso o torna uma das aves endêmicas brasileiras mais acessíveis à observação.
Alimentação
Come sementes, frutos, brotos e insetos, com dieta bastante flexível. Consome frutos de cactos como mandacaru e facheiro, sementes de gramíneas, frutos de umbuzeiro e de várias plantas nativas da Caatinga.
Os frutos de cactos são importantes na estação seca, porque fornecem simultaneamente alimento e água em um ambiente onde a segunda é escassa. Essa dependência ilustra bem a integração entre a ave e a vegetação do bioma.
Comportamento
Vive em casais estáveis e pequenos grupos familiares que se mantêm juntos ao longo do ano. Fora da reprodução, formam agrupamentos frouxos em áreas com boa oferta de alimento.
É moderadamente confiante e permite aproximação razoável, especialmente em áreas urbanas. Casais vocalizam alternadamente e mantêm contato constante enquanto forrageiam.
Reprodução
Constrói ninho em taça de fibras vegetais e gravetos finos, geralmente em arbustos espinhosos ou em cactos, o que oferece proteção adicional contra predadores.
A postura tem dois a quatro ovos esbranquiçados com pintas. A incubação dura cerca de 13 dias. A reprodução é fortemente concentrada no período de chuvas, quando a oferta de insetos e de frutos aumenta de forma abrupta na Caatinga.
Distribuição geográfica
Endêmico do Brasil, ocorre no Nordeste, do Maranhão e do Piauí à Bahia e ao norte de Minas Gerais, ocupando principalmente a Caatinga e áreas de transição com a Mata Atlântica.
Populações introduzidas por escape ou soltura de aves de gaiola existem no Sudeste e no Sul, incluindo áreas urbanas de São Paulo e do Rio de Janeiro, onde a espécie não é nativa.
Curiosidades
- É a ave símbolo da Caatinga no imaginário popular nordestino e aparece com frequência em xilogravuras, cordéis e canções da região.
- Machos e fêmeas são praticamente indistinguíveis pela plumagem, o que é raro entre aves de cores tão vistosas.
- Depende de frutos de cactos na estação seca, obtendo alimento e água na mesma refeição, adaptação essencial no semiárido.
- Populações estabelecidas em São Paulo e no Rio de Janeiro se originaram de aves de gaiola soltas ou fugidas, e hoje se reproduzem fora da área nativa da espécie.
Como observar
Onde e quando procurar
Uma das aves endêmicas mais fáceis do Brasil. Qualquer cidade do interior do Nordeste, de Petrolina a Juazeiro do Norte, tem casais em praças e quintais. Em áreas naturais, procure caatinga arbórea com cactos frutificando. O melhor horário é o começo da manhã, antes do calor forte.
Estado de conservação
Classificada como Pouco preocupante, com população ampla e adaptada a ambientes alterados. A captura para gaiola é intensa e ilegal no Nordeste, e representa a principal pressão sobre a espécie, mas não ameaça sua permanência em escala regional.
Sobre esta ficha
Texto original produzido para o Taxogre a partir de literatura ornitológica brasileira, listas taxonômicas de referência e avaliações de estado de conservação. A metodologia e as fontes consultadas estão descritas na página de metodologia. Encontrou uma imprecisão? Envie uma correção.