Metodologia e fontes
Como o acervo é construído: critérios de classificação, tipos de fonte, decisões editoriais e limitações conhecidas.
Escopo do acervo
O acervo cobre atualmente 60 espécies de aves com ocorrência natural no Brasil, distribuídas em 37 famílias. A seleção não pretende ser exaustiva: o Brasil tem cerca de duas mil espécies registradas, e um acervo completo é um projeto de longo prazo.
Os critérios de priorização foram três: representar todos os biomas e regiões do país, cobrir a diversidade de grupos e formas de vida, e incluir tanto espécies muito comuns, úteis a quem está começando, quanto espécies de alto interesse de conservação.
Nomes populares e científicos
O nome popular adotado como principal em cada ficha segue o uso corrente na literatura ornitológica brasileira. Nomes regionais alternativos aparecem no campo de outros nomes, porque a variação regional é enorme no Brasil e um mesmo nome popular frequentemente designa espécies diferentes em estados diferentes.
Os nomes científicos seguem a nomenclatura binomial e refletem o arranjo taxonômico majoritariamente aceito. Taxonomia de aves é um campo em movimento: revisões baseadas em dados genéticos reorganizam gêneros e desmembram espécies com frequência, e há divergências legítimas entre comitês taxonômicos. Quando a classificação de uma espécie é objeto de discussão relevante, a ficha menciona isso explicitamente.
Como as categorias de filtro são definidas
Os filtros da biblioteca usam classificações padronizadas, criadas para permitir comparação entre espécies. Elas são simplificações deliberadas, e vale entender como cada uma funciona.
Região e bioma
A região indica em quais das cinco macrorregiões brasileiras a espécie ocorre de forma regular. O bioma indica os grandes conjuntos ecológicos em que ela é encontrada. Os limites reais entre biomas são graduais e formam zonas de transição amplas, e o mapa do site é esquemático, servindo para orientação e não para delimitação precisa.
Habitat
Descreve o tipo de ambiente utilizado dentro do bioma: floresta densa, borda de mata, campo aberto, cerrado e savana, caatinga e matas secas, áreas alagadas, rios e lagos, restinga e litoral, ambiente urbano, montanhas e altitudes. Uma espécie pode ocupar vários.
Alimentação
Indica os itens predominantes da dieta, não itens exclusivos. Praticamente toda ave classificada como granívora consome insetos durante a criação dos filhotes, porque ninhegos precisam de proteína animal. A classificação reflete o que sustenta a espécie na maior parte do ano.
Tamanho
As classes de porte usam o comprimento total, do bico à ponta da cauda, medida convencional em ornitologia. As faixas adotadas são: muito pequena até 12 cm, pequena de 12 a 20 cm, média de 20 a 40 cm, grande de 40 a 80 cm e muito grande acima de 80 cm.
Duas ressalvas importantes. Em aves com cauda muito longa, como a tesourinha e o bacurau-tesoura, o comprimento total é dominado pela cauda e não reflete o volume do corpo. Em aves terrestres grandes, como a ema, a medida usada na ficha é a altura, mais informativa que o comprimento.
Migratória
Marcada apenas para espécies com deslocamento sazonal regular de longa distância. Deslocamentos internos, movimentos altitudinais e nomadismo em busca de frutos ou água não recebem essa marcação, embora sejam mencionados no texto das fichas quando relevantes.
Endêmica do Brasil
Marcada apenas quando a distribuição natural da espécie está inteiramente contida no território brasileiro. Espécies que atravessam marginalmente a fronteira, como a arara-azul-grande, não são marcadas como endêmicas, mesmo quando o Brasil concentra a esmagadora maioria da população mundial.
Comum em cidades e fácil de observar
São classificações de utilidade prática, não categorias formais. Comum em cidades indica presença regular em áreas urbanas arborizadas. Fácil de observar indica que a espécie é razoavelmente detectável por um observador sem experiência, em local e época adequados. Ambas são avaliações editoriais e admitem variação regional.
Estado de conservação
Usa as categorias internacionais de risco de extinção, traduzidas para o português: Pouco preocupante, Quase ameaçada, Vulnerável, Em perigo, Criticamente em perigo e Extinta na natureza. As avaliações refletem a situação global da espécie.
Isso gera uma distorção que merece atenção: uma espécie pode estar classificada como Pouco preocupante no mundo e ter sofrido colapso local no Brasil. É o caso do curió, abundante em escala continental e praticamente extinto na natureza em boa parte do Sudeste por causa da captura para gaiola. Quando essa diferença existe, o texto da ficha aponta.
Tipos de fonte consultada
- Literatura ornitológica brasileira de referência, incluindo obras de identificação e história natural
- Listas taxonômicas de comitês ornitológicos nacionais e internacionais
- Avaliações de estado de conservação em escala global e nacional
- Artigos científicos sobre biologia, comportamento e ecologia de espécies específicas
- Bases de dados de distribuição alimentadas por registros documentados
Números populacionais, medidas e datas de eventos de conservação são apresentados como estimativas ou aproximações quando é isso que as fontes oferecem. Preferimos escrever cerca de e estimado em a transmitir precisão que o dado não tem.
Limitações conhecidas
- Cobertura parcial. 60 espécies representam uma fração da avifauna brasileira. Ausência no acervo não significa ausência no Brasil.
- Detalhes reprodutivos incompletos. Para várias espécies de sub-bosque amazônico, dados de reprodução são escassos na literatura, e as fichas registram isso em vez de preencher lacunas com suposição.
- Taxonomia em movimento. Revisões podem tornar desatualizada a classificação de uma espécie entre uma atualização do site e a seguinte.
- Variação regional. Comportamento, dieta e sazonalidade variam entre populações de uma mesma espécie. As fichas descrevem padrões gerais.
- Fotografia. A imagem de cada ficha vem do Wikimedia Commons e pode não retratar a subespécie, o sexo, a idade ou a plumagem sazonal mais representativa da população brasileira.
Correções
Erros factuais são corrigidos assim que identificados e verificados. Se você encontrou uma imprecisão, envie a observação pela página de contato, de preferência com indicação da fonte. Correções de conteúdo são incorporadas diretamente às fichas, e a data de atualização do acervo é exibida no rodapé de todas as páginas.