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Bacurau-tesoura

Hydropsalis torquata

Também chamada de bacurau-tesoura-gigante, curiango-tesoura, tesourão-noturno.

O macho arrasta uma cauda de mais de meio metro em voo noturno, e durante o dia a ave desaparece completamente contra o chão graças à camuflagem perfeita.

Bacurau-tesoura (Hydropsalis torquata)

Via Wikimedia Commons

Nome científico
Hydropsalis torquata
Família
Caprimulgídeos (Caprimulgidae)
Ordem
Caprimulgiformes
Tamanho
macho até 65 cm com a cauda; fêmea cerca de 28 cm
Peso
50 a 70 g
Envergadura
cerca de 55 cm
Alimentação
Insetívora
Atividade
Noturna
Conservação
Pouco preocupante

Descrição geral

O bacurau-tesoura é uma ave noturna de plumagem pardo-acinzentada intricadamente vermiculada de preto, ocre e branco, um padrão que reproduz com precisão a textura de folhas secas e solo. Um colar ferrugíneo estreito atravessa a nuca.

A diferença entre os sexos é dramática: o macho tem as penas externas da cauda extremamente alongadas, que podem duplicar o comprimento total da ave e se abrem em tesoura durante o voo de exibição. A fêmea tem cauda normal e é bem menor.

Marcas de campo

Os detalhes que resolvem a identificação em campo, em ordem de utilidade prática.

  • Macho com penas externas da cauda extremamente longas
  • Plumagem vermiculada em pardo, ocre e preto, camuflagem perfeita
  • Colar ferrugíneo estreito na nuca
  • Voo noturno errático e silencioso, com paradas e giros

Voz e vocalização

Um assobio curto e agudo, ligeiramente rascante, repetido em intervalos irregulares. Muito discreto em relação ao tamanho da ave, e emitido sobretudo em voo.

Características físicas

O bico é minúsculo, mas a boca abre enormemente, formando uma rede de captura para insetos em pleno voo. Cerdas rígidas ao redor da boca ampliam a área efetiva.

Os olhos são grandes e possuem uma camada refletora na retina que amplifica a luz disponível, o que faz os olhos brilharem em vermelho quando iluminados por lanterna. É a forma mais eficiente de localizar bacuraus à noite.

Habitat

Ocupa ambientes abertos e semiabertos: campos do Cerrado, campo sujo, pastagens, caatinga, capoeiras baixas, beira de estradas, aeroportos e áreas urbanas periféricas com terrenos vagos.

Durante o dia, permanece imóvel no chão ou em galho horizontal, confiando inteiramente na camuflagem. A escolha do local de repouso privilegia solo com folhas secas e cascalho, onde o padrão da plumagem se dissolve.

Alimentação

Alimenta-se exclusivamente de insetos capturados em voo: mariposas, besouros, cupins alados, mosquitos e outros insetos noturnos. A captura é feita com a boca aberta durante voos curtos e erráticos.

Concentra a atividade nos primeiros minutos após o anoitecer e nos minutos antes do amanhecer, quando a densidade de insetos voadores é maior. Aproveita luzes de postes em áreas periurbanas, que atraem grandes quantidades de mariposas.

Comportamento

É noturno e crepuscular, e passa o dia inteiro imóvel. Ao ser aproximado, permanece parado até o último instante, quando levanta em voo brusco a poucos metros do observador, comportamento que já causou muitos sustos em caminhadas.

O macho executa voos de exibição em que abre a cauda em tesoura e circula lentamente sobre o território. É um dos espetáculos noturnos mais bonitos do Cerrado brasileiro, e raramente presenciado por não observadores.

Reprodução

Não constrói ninho. Põe os ovos diretamente no solo, sobre folhas secas ou cascalho, sem qualquer estrutura. A postura é de um ou dois ovos, de coloração creme com manchas, extremamente camuflados.

A incubação dura cerca de 18 dias e é feita principalmente pela fêmea, que confia na própria camuflagem e permanece imóvel mesmo com aproximação. Os filhotes nascem cobertos de penugem camuflada e se deslocam a pé com os pais poucos dias depois.

Distribuição geográfica

Ocorre do Nordeste ao Rio Grande do Sul, em Cerrado, Caatinga, Pampa, Pantanal e áreas abertas de Mata Atlântica, além de áreas desmatadas no sul da Amazônia.

Também presente na Bolívia, no Paraguai, no Uruguai e no norte da Argentina. A taxonomia do grupo passou por revisões, e o gênero já foi tratado como Macropsalis e Caprimulgus em obras mais antigas.

Curiosidades

  • A cauda do macho pode ter mais que o dobro do comprimento do corpo, e existe uma espécie relacionada no Sudeste, o bacurau-tesourão, com cauda ainda mais extrema.
  • Os olhos brilham em vermelho quando iluminados por lanterna, por causa de uma camada refletora na retina. É a forma padrão de localizar bacuraus em campo à noite.
  • A camuflagem é tão eficiente que a ave é frequentemente pisada por engano em estradas de terra, e a maioria dos registros diurnos acontece por acidente.
  • O nome bacurau vem do tupi e é usado no Brasil para dezenas de espécies da família, o que torna a identificação por nome popular pouco confiável.

Como observar

Onde e quando procurar

Requer saída noturna. Percorra estradas de terra em áreas de Cerrado ou pastagem cerca de trinta minutos depois do anoitecer, com farol baixo, e procure o brilho vermelho dos olhos no chão da estrada. É comum encontrar bacuraus pousados no leito da via, aproveitando o calor residual do solo. Dirija devagar para evitar atropelamentos.

Estado de conservação

Pouco preocupante (LC — População estável e ampla, sem risco imediato.)

Classificada como Pouco preocupante. As principais ameaças são os atropelamentos, muito frequentes por causa do hábito de pousar em estradas, as queimadas em época reprodutiva, que destroem ninhos no solo, e o uso intensivo de inseticidas, que reduz a oferta de presas.

Sobre esta ficha

Texto original produzido para o Taxogre a partir de literatura ornitológica brasileira, listas taxonômicas de referência e avaliações de estado de conservação. A metodologia e as fontes consultadas estão descritas na página de metodologia. Encontrou uma imprecisão? Envie uma correção.