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Comum em cidadesFácil de observar Pica-paus

Pica-pau-de-banda-branca

Dryocopus lineatus

Também chamada de pica-pau-de-topete-vermelho, peto, pica-pau-riscado.

Topete vermelho vivo e duas linhas brancas nas costas: martela troncos com impactos que somariam concussão em qualquer outro animal.

Pica-pau-de-banda-branca (Dryocopus lineatus)

Via Wikimedia Commons

Nome científico
Dryocopus lineatus
Família
Picídeos (Picidae)
Ordem
Piciformes
Tamanho
31 a 36 cm de comprimento total
Peso
160 a 230 g
Envergadura
cerca de 50 cm
Alimentação
Insetívora, Frugívora
Atividade
Diurna
Conservação
Pouco preocupante

Descrição geral

O pica-pau-de-banda-branca é um pica-pau grande e vistoso, com todo o alto da cabeça e um topete pontudo em vermelho intenso, dorso negro atravessado por duas linhas brancas que descem dos ombros em direção às costas, e ventre claro densamente barrado de escuro.

O macho tem a face lateral vermelha, ausente na fêmea, que apresenta apenas a coroa vermelha. É uma das aves mais fáceis de detectar em floresta e borda de mata, porque o tamborilar e a gargalhada característica anunciam a presença bem antes de a ave aparecer.

Marcas de campo

Os detalhes que resolvem a identificação em campo, em ordem de utilidade prática.

  • Topete pontudo vermelho intenso no alto da cabeça
  • Duas linhas brancas descendo pelos lados do dorso negro
  • Ventre claro densamente barrado de escuro
  • Gargalhada alta descendente e tamborilar potente

Voz e vocalização

Uma gargalhada alta e descendente, em série de notas aceleradas, além de um tamborilar potente em troncos secos que funciona como sinal territorial audível a centenas de metros.

Características físicas

O crânio possui adaptações notáveis para absorver impacto: osso esponjoso na frente do cérebro, musculatura que distribui a força e um arranjo em que o cérebro fica firmemente encaixado, reduzindo movimento durante as batidas. A ave desfere milhares de impactos por dia sem sofrer lesão.

A língua é muito longa, farpada e revestida de saliva pegajosa, e enrola-se dentro do crânio quando recolhida. As penas da cauda são rígidas e servem de apoio contra o tronco, formando um tripé com as duas patas.

Habitat

Ocupa florestas úmidas e semideciduais, cerradão, matas de galeria, capões pantaneiros, caatinga arbórea, plantações arborizadas e áreas urbanas com árvores grandes.

É um dos pica-paus mais tolerantes a ambientes alterados no Brasil e ocorre em parques urbanos de várias capitais, desde que existam árvores maduras ou troncos secos em pé.

Alimentação

A dieta é dominada por larvas de besouros escavadores de madeira, formigas e cupins, extraídos de troncos e galhos com o bico e a língua. Complementa com frutos e sementes em menor proporção.

Localiza as galerias de larvas provavelmente por som e vibração, martelando de forma exploratória antes de abrir a madeira no ponto exato. É um trabalho de precisão, não de força cega.

Comportamento

Vive sozinho ou em casais, com territórios grandes. O tamborilar em troncos secos e ocos é o principal sinal territorial e substitui, nos pica-paus, o papel do canto entre os passeriformes.

Sobe troncos em espiral, apoiado no tripé formado pelas patas e pela cauda rígida, e voa em trajetória ondulada característica. A gargalhada é emitida frequentemente em voo e no momento de pousar.

Reprodução

Escava a cavidade de nidificação em troncos de árvores mortas ou com madeira apodrecida, com uma entrada circular precisa e uma câmara vertical interna. A cavidade não recebe forro além de lascas de madeira.

A postura tem dois a quatro ovos brancos, incubados por ambos os pais por cerca de 18 dias. Os filhotes deixam a cavidade com aproximadamente um mês. Cavidades abandonadas são reutilizadas por dezenas de outras espécies, o que faz da espécie um engenheiro florestal importante.

Distribuição geográfica

Presente em quase todo o Brasil, da Amazônia ao Rio Grande do Sul, em todos os biomas com árvores de porte razoável. É um dos pica-paus grandes mais amplamente distribuídos do país.

Fora do Brasil, ocorre do México à Argentina. A ampla plasticidade de habitat explica essa distribuição continental.

Curiosidades

  • O crânio dos pica-paus possui osso esponjoso e musculatura que absorvem impacto, permitindo milhares de batidas diárias sem lesão cerebral. O mecanismo inspirou pesquisas em engenharia de capacetes.
  • A língua enrola-se dentro do crânio, contornando o cérebro, e é uma das estruturas anatômicas mais notáveis entre as aves.
  • Cavidades abandonadas por pica-paus são reutilizadas por tuins, corujas, morcegos, abelhas, marsupiais e uma longa lista de outros animais, o que torna a espécie essencial para a comunidade florestal.
  • O tamborilar não é alimentação: é comunicação territorial, com ritmo e duração característicos de cada espécie de pica-pau.

Como observar

Onde e quando procurar

Fácil em bordas de mata, cerradão e parques urbanos arborizados. A gargalhada descendente e o tamborilar são audíveis a grande distância e permitem localização precisa. Procure troncos secos em pé, que são simultaneamente palco de tamborilar e local de nidificação. O melhor horário é o começo da manhã.

Estado de conservação

Pouco preocupante (LC — População estável e ampla, sem risco imediato.)

Classificada como Pouco preocupante, com ampla distribuição e boa tolerância a ambientes alterados. Depende, porém, da presença de árvores mortas em pé, elemento frequentemente removido em manejo urbano e florestal. Manter troncos secos é uma medida simples e eficaz de conservação.

Sobre esta ficha

Texto original produzido para o Taxogre a partir de literatura ornitológica brasileira, listas taxonômicas de referência e avaliações de estado de conservação. A metodologia e as fontes consultadas estão descritas na página de metodologia. Encontrou uma imprecisão? Envie uma correção.