Gavião-carijó
Rupornis magnirostris
Também chamada de gavião-pega-pinto, indaié, gavião-de-asa-vermelha.
A ave de rapina mais comum do Brasil: caça de espera em postes e fios, do centro das capitais às bordas da Amazônia.

Via Wikimedia Commons
- Nome científico
- Rupornis magnirostris
- Família
- Accipitrídeos (Accipitridae)
- Ordem
- Accipitriformes
- Tamanho
- 32 a 38 cm de comprimento total
- Peso
- 250 a 350 g
- Envergadura
- 65 a 80 cm
- Alimentação
- Carnívora, Insetívora
- Atividade
- Diurna
- Conservação
- Pouco preocupante
Descrição geral
O gavião-carijó é uma ave de rapina de porte pequeno a médio, com dorso pardo-acinzentado, peito acinzentado e todo o ventre barrado de branco e ferrugíneo em faixas finas e regulares. A cauda é escura com três ou quatro faixas claras estreitas, e os olhos são amarelo-claros nos adultos.
Em voo, revela a marca mais confiável: manchas ferrugíneo-avermelhadas nas penas de voo, visíveis quando a asa é iluminada por baixo. É a rapina mais frequentemente vista no Brasil e a que a maioria das pessoas encontra sem saber o nome.
Marcas de campo
Os detalhes que resolvem a identificação em campo, em ordem de utilidade prática.
- Ventre barrado de branco e ferrugíneo em faixas finas
- Manchas ferrugíneas nas penas de voo, visíveis por baixo
- Cauda escura com três a quatro faixas claras estreitas
- Pousado em postes, fios e cercas em beira de estrada
Voz e vocalização
Um assobio agudo, longo e ligeiramente descendente, repetido de forma insistente. É um dos sons mais característicos das áreas rurais e periurbanas brasileiras e frequentemente atribuído por engano a outras aves.
Características físicas
As asas são curtas e arredondadas e a cauda é longa, combinação típica de rapinantes que caçam em ambiente estruturado, com obstáculos. Isso permite arrancadas curtas e manobras entre galhos e postes.
As garras são fortes em relação ao tamanho e adequadas a presas pequenas: lagartos, insetos grandes, roedores e filhotes de aves. O bico curto e em gancho serve para rasgar, não para perfurar.
Habitat
Ocupa praticamente todo ambiente semiaberto do Brasil: bordas de mata, capoeiras, cerrado, caatinga, pastagens com árvores, beira de estradas, plantações e áreas urbanas de todos os tamanhos.
É provavelmente a ave de rapina mais urbana do país, presente em praças, avenidas arborizadas e bairros residenciais de capitais. O nome em inglês, roadside hawk, resume bem o hábito: gavião de beira de estrada.
Alimentação
A dieta é bastante variada: lagartos, insetos grandes como gafanhotos e besouros, roedores pequenos, anfíbios, filhotes de aves, ovos, cobras pequenas e ocasionalmente aves adultas de pequeno porte.
Caça de espera: permanece pousado em um poste ou galho exposto, observa o solo e desce em ataque curto. Também segue queimadas e roçadas de pasto, aproveitando animais que fogem, comportamento comum em rapinas de área aberta.
Comportamento
É solitário ou vive em casais, com territórios relativamente pequenos e estáveis. Passa longos períodos imóvel em poleiros expostos, o que o torna a rapina mais fácil de observar no Brasil.
É notoriamente vocal, especialmente na época reprodutiva, e o assobio insistente é frequentemente ouvido no meio do dia. É também alvo constante de assédio coletivo por bem-te-vis, sanhaços e tesourinhas, que o expulsam de seus territórios.
Reprodução
Constrói ninho em plataforma relativamente pequena de gravetos, forrada com material fino, instalada em forquilhas de árvores, palmeiras e, em cidades, em estruturas artificiais.
A postura tem um a três ovos esbranquiçados com manchas. A incubação dura cerca de 37 dias e é feita principalmente pela fêmea, enquanto o macho caça e traz alimento. Os filhotes deixam o ninho com aproximadamente seis semanas.
Distribuição geográfica
Presente em todos os estados brasileiros e em todos os biomas, do nível do mar a mais de 2.000 metros. É a ave de rapina com maior número de registros no país.
Fora do Brasil, ocorre do México à Argentina, com dezenas de subespécies descritas. A ampla plasticidade de habitat é a razão dessa distribuição continental.
Curiosidades
- O nome popular pega-pinto vem da fama, em parte injusta, de atacar filhotes de galinha. A espécie de fato o faz, mas a dieta é dominada por insetos e lagartos.
- É a única ave de rapina que muitos brasileiros veem com regularidade, e frequentemente é confundida com gaviões maiores por observadores iniciantes.
- Sofre assédio coletivo constante de aves menores, e observar um bem-te-vi perseguindo um gavião é uma cena cotidiana no Brasil.
- Segue queimadas e roçadas para capturar animais em fuga, comportamento que a torna visível em áreas de manejo de pasto.
Como observar
Onde e quando procurar
A rapina mais fácil do Brasil. Percorra qualquer estrada rural ou avenida arborizada e procure aves pousadas em postes e fios. O assobio agudo e repetido é a melhor pista sonora. Um excelente exercício para iniciantes é comparar o padrão barrado do ventre com o de outras rapinas: é a base da identificação de gaviões brasileiros.
Estado de conservação
Classificada como Pouco preocupante, com população enorme e em expansão. É uma das aves de rapina mais bem adaptadas a ambientes alterados no continente e não enfrenta ameaças relevantes, embora ainda sofra abate ilegal em áreas rurais por causa da fama de atacar aves domésticas.
Sobre esta ficha
Texto original produzido para o Taxogre a partir de literatura ornitológica brasileira, listas taxonômicas de referência e avaliações de estado de conservação. A metodologia e as fontes consultadas estão descritas na página de metodologia. Encontrou uma imprecisão? Envie uma correção.