Sabiá-laranjeira
Turdus rufiventris
Também chamada de sabiá-de-peito-roxo, sabiá-gongá, sabiá-vermelho.
Ave nacional do Brasil por decreto, dona de um dos cantos mais reconhecidos do país e presença garantida em quintais e praças do Sudeste e do Sul.

Via Wikimedia Commons
- Nome científico
- Turdus rufiventris
- Família
- Turdídeos (Turdidae)
- Ordem
- Passeriformes
- Tamanho
- 25 a 26 cm de comprimento total
- Peso
- 68 a 80 g
- Envergadura
- cerca de 38 cm
- Alimentação
- Frugívora, Insetívora, Onívora
- Atividade
- Diurna
- Conservação
- Pouco preocupante
Descrição geral
O sabiá-laranjeira é um pássaro de porte médio, dorso marrom-oliváceo uniforme, garganta esbranquiçada com riscas escuras finas e todo o ventre em um alaranjado ferrugíneo que dá nome à espécie. O bico é amarelo-escuro e há um anel amarelo estreito ao redor do olho, mais evidente em aves adultas em época reprodutiva.
É provavelmente a ave silvestre mais familiar ao brasileiro urbano do Sudeste e do Sul. Anda pelo chão de jardins com postura ereta, dá pequenas corridas, para, inclina a cabeça e crava o bico na terra em busca de minhocas, um comportamento repetido milhares de vezes por dia.
Marcas de campo
Os detalhes que resolvem a identificação em campo, em ordem de utilidade prática.
- Ventre inteiro alaranjado-ferrugem, sem manchas
- Dorso marrom-oliváceo uniforme, sem padrão
- Garganta clara com riscas escuras finas
- Anda no chão em pequenas corridas seguidas de pausas
Voz e vocalização
Canto flauteado, melodioso e pausado, em frases curtas repetidas com variações. É o canto que Gonçalves Dias imortalizou e que se ouve nas madrugadas de setembro em quase todo o Sudeste.
Características físicas
O bico é reto, de comprimento médio, ferramenta versátil que serve tanto para extrair minhocas do solo quanto para engolir frutos inteiros. Não é especializado, e essa é justamente a razão do sucesso da espécie em ambientes muito diferentes.
As pernas são relativamente longas e fortes para um passeriforme, adaptadas ao deslocamento no solo. A visão frontal e a audição fina permitem detectar movimento de invertebrados sob a serrapilheira, algo que a ave confirma inclinando a cabeça antes de bicar.
Habitat
Ocupa uma variedade impressionante de ambientes: interior e borda de florestas, matas de galeria, cerradão, capões, matas de araucária, restingas e praticamente qualquer área urbana com árvores e solo descoberto.
Nas cidades, é favorecido pela combinação de gramados regados, canteiros com terra exposta e árvores frutíferas. Quintais com amoreira, pitangueira ou goiabeira quase sempre têm um casal residente.
Alimentação
A dieta muda com a estação: no período seco e frio predominam frutos, e no período úmido e quente aumentam os invertebrados. Come amoras, pitangas, goiabas, frutos de palmeiras, aroeira, embaúba, além de minhocas, larvas, besouros, aranhas e pequenos moluscos.
É um dispersor de sementes eficiente. Engole frutos pequenos inteiros, digere a polpa e elimina as sementes viáveis longe da planta-mãe, papel ecológico central em florestas em regeneração.
Comportamento
Defende território de forma vigorosa na época reprodutiva, com cantos disputados de pontos altos e perseguições a intrusos. Fora da reprodução, tolera a presença de outros sabiás nas mesmas árvores frutificando.
O canto tem uma característica notável: cada macho desenvolve um repertório próprio, com frases que se repetem em ordem variável. Machos vizinhos aprendem trechos uns dos outros, o que cria dialetos locais reconhecíveis por observadores atentos.
Reprodução
Constrói uma tigela robusta de gravetos, raízes e barro, forrada com material fino, apoiada em forquilhas, vãos de muros, vasos de plantas e vigas de varandas. A adaptação a estruturas humanas é total.
A postura tem dois a quatro ovos esverdeados com pintas marrons. A incubação dura cerca de 13 dias e os filhotes deixam o ninho com aproximadamente duas semanas, ainda dependentes dos pais por mais duas ou três semanas.
Distribuição geográfica
Distribui-se do Nordeste ao Rio Grande do Sul, sendo mais abundante no Sudeste e no Sul. Está presente em Mata Atlântica, Cerrado, Pampa e áreas de Caatinga arbórea, do nível do mar até cerca de 2.000 metros.
Fora do Brasil, ocorre no Uruguai, no Paraguai, na Bolívia e no norte da Argentina. Populações do sul da distribuição apresentam deslocamentos altitudinais e latitudinais no inverno.
Curiosidades
- Foi declarada ave símbolo do Brasil por decreto presidencial em 2002, escolha ligada diretamente à Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, publicada em 1846.
- O canto de madrugada, muitas vezes antes das quatro da manhã em setembro e outubro, é uma estratégia: no silêncio noturno o som viaja mais longe e alcança mais fêmeas e rivais.
- Nem todo sabiá canta igual. Machos de bairros diferentes de uma mesma cidade podem ter repertórios distintos, aprendidos por imitação dos vizinhos.
- É uma das poucas aves brasileiras que se beneficiou claramente da urbanização, ocupando cidades inteiras onde antes havia mata.
Como observar
Onde e quando procurar
Não requer esforço algum no Sudeste e no Sul: qualquer praça, quintal ou canteiro com terra exposta serve. O melhor momento é o começo da manhã, quando os indivíduos se alimentam no gramado. Para ouvir o canto completo, saia antes do amanhecer entre setembro e dezembro, período de pico vocal.
Estado de conservação
Classificada como Pouco preocupante, com população grande e em possível expansão. A principal ameaça histórica foi a captura para gaiola, prática que ainda persiste em algumas regiões e que é crime ambiental no Brasil.
Sobre esta ficha
Texto original produzido para o Taxogre a partir de literatura ornitológica brasileira, listas taxonômicas de referência e avaliações de estado de conservação. A metodologia e as fontes consultadas estão descritas na página de metodologia. Encontrou uma imprecisão? Envie uma correção.