Jaçanã
Jacana jacana
Também chamada de piaçoca, aguapeaçoca, frango-d'água.
Anda sobre plantas flutuantes com dedos absurdamente longos, e é a fêmea que domina o território enquanto vários machos cuidam dos ovos.

Via Wikimedia Commons
- Nome científico
- Jacana jacana
- Família
- Jacanídeos (Jacanidae)
- Ordem
- Charadriiformes
- Tamanho
- 23 a 25 cm de comprimento total
- Peso
- 90 a 145 g; fêmeas maiores que machos
- Envergadura
- cerca de 50 cm
- Alimentação
- Insetívora, Onívora
- Atividade
- Diurna
- Conservação
- Pouco preocupante
Descrição geral
O jaçanã é uma ave de porte pequeno com uma anatomia extrema: os dedos e as unhas são tão longos que distribuem o peso da ave sobre folhas de aguapé e vitória-régia, permitindo que ela caminhe sobre a água sem afundar.
O corpo é castanho-avermelhado escuro com a cabeça, o pescoço e o peito negros. Sobre a base do bico amarelo há uma carúncula carnosa vermelha, e as asas, quando abertas em voo, revelam penas de voo de um amarelo-esverdeado surpreendente, invisíveis quando a ave está parada.
Marcas de campo
Os detalhes que resolvem a identificação em campo, em ordem de utilidade prática.
- Dedos e unhas extremamente longos, andando sobre plantas flutuantes
- Corpo castanho-escuro com cabeça, pescoço e peito negros
- Carúncula vermelha sobre a base do bico amarelo
- Penas de voo amarelo-esverdeadas, visíveis apenas com a asa aberta
Voz e vocalização
Uma série de notas altas, agudas e cortantes, emitidas em alarme quando qualquer coisa se aproxima. O som é estridente e desproporcional ao tamanho da ave.
Características físicas
Os dedos podem somar mais de dez centímetros de extensão total, com unhas retas e finas. A área de contato resultante é tão grande que a pressão exercida sobre uma folha de aguapé é mínima, e é isso que permite o deslocamento sobre vegetação flutuante.
As fêmeas são consistentemente maiores e mais pesadas que os machos, cerca de 50% mais massa, padrão inverso ao da maioria das aves e diretamente ligado ao sistema reprodutivo da espécie.
Habitat
Ocupa áreas alagadas de água doce com vegetação flutuante: baías pantaneiras, lagoas com aguapé, açudes, banhados, margens de rio de curso lento, várzeas e lagos de parques urbanos.
A exigência central é a presença de vegetação flutuante, sem a qual a espécie não consegue forragear nem nidificar. Lagos limpos e sem plantas aquáticas não abrigam jaçanãs, mesmo que a água seja abundante.
Alimentação
Alimenta-se de insetos aquáticos, larvas, moluscos pequenos, aranhas, crustáceos e sementes, capturados sobre e entre folhas flutuantes.
Forrageia caminhando sobre a vegetação, virando folhas com o bico e inspecionando a face inferior. Ocasionalmente nada e mergulha a cabeça, embora não seja uma ave de nadar por longos períodos.
Comportamento
O sistema social é o aspecto mais notável da espécie: as fêmeas são poliândricas, defendem territórios grandes e mantêm relações simultâneas com vários machos, cada um em um subterritório dentro da área dela.
A fêmea põe ovos em cada ninho e deixa toda a incubação e o cuidado dos filhotes para os machos. É a inversão completa dos papéis tipicamente esperados, e o tamanho maior das fêmeas é consequência direta da competição entre elas por territórios e por machos.
Reprodução
O ninho é uma plataforma frágil de material vegetal sobre folhas flutuantes, tão precário que frequentemente afunda parcialmente. A postura é de quatro ovos, de coloração parda intensamente riscada de negro, com padrão que parece caligrafia.
A incubação dura cerca de 28 dias e é feita exclusivamente pelo macho, que também cuida dos filhotes. Um comportamento notável: ao perceber perigo, o macho recolhe os filhotes sob as asas e caminha com eles pendurados, com as perninhas dos jovens visíveis para fora.
Distribuição geográfica
Presente em todos os estados brasileiros, em qualquer ambiente alagado com vegetação flutuante. É especialmente abundante no Pantanal e na Amazônia.
Fora do Brasil, distribui-se do Panamá à Argentina. Existem outras sete espécies de jacanídeos no mundo, distribuídas pelos trópicos, todas com o mesmo padrão de dedos longos e, na maioria, com papéis sexuais invertidos.
Curiosidades
- A fêmea é maior que o macho, defende o território e mantém vários parceiros simultaneamente, enquanto cada macho incuba e cria os filhotes sozinho.
- O macho carrega os filhotes sob as asas ao fugir, com as pernas dos jovens penduradas para fora, uma das cenas mais curiosas da fauna brasileira.
- Os dedos extremamente longos rendem à família o apelido de aves que andam sobre a água em várias línguas.
- As penas de voo amarelo-esverdeadas são invisíveis quando a ave está parada e aparecem como um relâmpago inesperado quando ela levanta.
Como observar
Onde e quando procurar
Muito fácil em qualquer lagoa com aguapé. O Pantanal, lagos urbanos de Brasília e Goiânia, açudes do Nordeste e banhados do Sul rendem registros com facilidade. Entre outubro e março, é possível observar machos com filhotes: fique parado a distância e acompanhe, porque o comportamento de carregar os jovens sob as asas acontece diante de qualquer ameaça percebida.
Estado de conservação
Classificada como Pouco preocupante, com população ampla e estável. As ameaças são a drenagem de áreas alagadas, a remoção mecânica de vegetação flutuante em represas e lagos urbanos, e a poluição da água. Manter aguapés e plantas flutuantes em lagos urbanos é uma medida direta de conservação da espécie.
Sobre esta ficha
Texto original produzido para o Taxogre a partir de literatura ornitológica brasileira, listas taxonômicas de referência e avaliações de estado de conservação. A metodologia e as fontes consultadas estão descritas na página de metodologia. Encontrou uma imprecisão? Envie uma correção.