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Garça-branca-grande

Ardea alba

Também chamada de garça-grande, garça-real, garça-branca.

A garça mais alta do Brasil, caça por imobilidade absoluta e quase foi extinta no início do século 20 por causa das penas usadas em chapéus.

Garça-branca-grande (Ardea alba)

Via Wikimedia Commons

Nome científico
Ardea alba
Família
Ardeídeos (Ardeidae)
Ordem
Pelecaniformes
Tamanho
85 cm a 1,02 m de comprimento total
Peso
1 a 1,5 kg
Envergadura
1,3 a 1,7 m
Alimentação
Piscívora, Carnívora
Atividade
Diurna
Conservação
Pouco preocupante

Descrição geral

A garça-branca-grande é inteiramente branca, com o bico amarelo intenso e as pernas e os pés negros. É a maior garça branca do Brasil, com quase um metro de comprimento e pescoço extremamente longo, que a ave mantém dobrado em S quando parada e recolhido em voo.

Na época reprodutiva, desenvolve longas penas ornamentais nas costas, chamadas egretes, que se projetam além da cauda em filamentos delicados. Foram exatamente essas penas que quase levaram a espécie à extinção no início do século 20.

Marcas de campo

Os detalhes que resolvem a identificação em campo, em ordem de utilidade prática.

  • Inteiramente branca com bico amarelo e pernas negras
  • Pescoço muito longo, dobrado em S quando parada
  • Voa com o pescoço recolhido, ao contrário de colhereiros e guarás
  • Penas ornamentais longas nas costas em época reprodutiva

Voz e vocalização

Um grasnado rouco, seco e curto, emitido em voo ou em disputas. Em colônias, o ruído coletivo é constante e bem audível.

Características físicas

O pescoço longo funciona como uma mola: a ave permanece imóvel, com o corpo na horizontal, e desfere um golpe explosivo quando a presa entra no alcance. A velocidade do golpe é uma das mais rápidas entre as aves brasileiras.

O bico longo, reto e afilado é um arpão. A garça captura o peixe por impacto e pressão, e o reposiciona na boca antes de engolir sempre com a cabeça para dentro, para que as escamas e as nadadeiras não travem na garganta.

Habitat

Ocupa praticamente qualquer ambiente aquático raso: baías pantaneiras, várzeas, lagoas, rios, represas, manguezais, estuários, arrozais, açudes de fazenda e canais urbanos.

É uma das aves aquáticas mais tolerantes a ambientes alterados no Brasil, e frequenta lagos de parques urbanos, canais e represas em capitais. A necessidade de árvores para nidificar em colônias é o principal fator limitante.

Alimentação

A dieta é dominada por peixes, complementada por anfíbios, insetos aquáticos, crustáceos, cobras pequenas, roedores e filhotes de aves.

A técnica clássica é a caça por imobilidade: a ave permanece parada em água rasa por vários minutos, sem mover um músculo, e ataca em golpe único. Também caminha lentamente e, em campo seco, persegue insetos e roedores atrás de tratores e de gado.

Comportamento

Alimenta-se sozinha, defendendo pequenos territórios de pesca, mas nidifica e dorme em colônias que podem reunir centenas de aves. Essa combinação de solidão diurna e agregação noturna é típica dos ardeídeos.

Em voo, o pescoço recolhido em S e as pernas estendidas para trás formam uma silhueta inconfundível. As batidas de asa são lentas, amplas e regulares, e o voo é surpreendentemente econômico para uma ave desse porte.

Reprodução

Nidifica em colônias mistas com outras garças, biguás e colhereiros, em árvores e arbustos sobre água ou em ilhas. O ninho é uma plataforma de galhos relativamente rasa e é reformado a cada temporada.

A postura tem dois a quatro ovos azul-esverdeados. A incubação dura cerca de 25 dias e é feita por ambos os pais. Os filhotes deixam o ninho com aproximadamente seis semanas. É comum a morte do filhote mais novo por competição com os irmãos maiores.

Distribuição geográfica

Presente em todos os estados brasileiros e em todos os biomas com água. É uma das aves aquáticas com maior número de registros no país.

A espécie tem distribuição quase mundial, ocorrendo nas Américas, na Europa, na África, na Ásia e na Oceania. É uma das aves de maior amplitude geográfica do planeta.

Curiosidades

  • As penas ornamentais das costas, chamadas egretes, valiam mais que ouro por peso no mercado de chapéus femininos do início do século 20, e a caça para esse comércio levou a espécie à beira da extinção em várias regiões.
  • A reação a essa matança deu origem a algumas das primeiras organizações de conservação de aves do mundo, e a garça-branca-grande é até hoje o símbolo da National Audubon Society, nos Estados Unidos.
  • Voa com o pescoço recolhido em S, característica que separa garças de cegonhas, colhereiros e guarás a qualquer distância.
  • Caça também em terra firme, seguindo tratores e gado para capturar insetos e roedores expostos, comportamento que surpreende quem só a conhece como ave de água.

Como observar

Onde e quando procurar

Uma das aves aquáticas mais fáceis do Brasil. Qualquer lagoa, represa ou canal urbano com peixes serve. Para observar a técnica de caça por imobilidade, escolha uma ave parada em água rasa e acompanhe por alguns minutos: o golpe é rápido demais para ser percebido sem atenção prévia.

Estado de conservação

Pouco preocupante (LC — População estável e ampla, sem risco imediato.)

Classificada como Pouco preocupante, com população recuperada e em expansão depois da proibição do comércio de penas. As ameaças atuais são a drenagem de áreas alagadas, a poluição da água e a perturbação de colônias de nidificação. É um dos casos de recuperação mais emblemáticos da história da conservação.

Sobre esta ficha

Texto original produzido para o Taxogre a partir de literatura ornitológica brasileira, listas taxonômicas de referência e avaliações de estado de conservação. A metodologia e as fontes consultadas estão descritas na página de metodologia. Encontrou uma imprecisão? Envie uma correção.