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Fácil de observar Aves aquáticas e pernaltas

Colhereiro

Platalea ajaja

Também chamada de ajajá, colhereiro-rosado, espátula-rosada.

Bico em forma de colher que varre a água em movimentos laterais e plumagem rosa vinda diretamente dos crustáceos que a ave come.

Colhereiro (Platalea ajaja)

Via Wikimedia Commons

Nome científico
Platalea ajaja
Família
Treskiornitídeos (Threskiornithidae)
Ordem
Pelecaniformes
Tamanho
70 a 85 cm de comprimento total
Peso
1,2 a 1,8 kg
Envergadura
1,2 a 1,3 m
Alimentação
Piscívora, Insetívora
Atividade
Diurna
Conservação
Pouco preocupante

Descrição geral

O colhereiro é uma das aves mais imediatamente reconhecíveis do Brasil, por dois motivos: a cor e o bico. A plumagem é rosa em intensidade variável, mais forte nas asas e nas coberteiras da cauda, com pescoço e dorso alto esbranquiçados. A cabeça de adultos reprodutivos é parcialmente nua e esverdeada.

O bico é longo, achatado e alargado na ponta, exatamente como uma espátula ou colher. Não existe outra ave brasileira com essa estrutura, e ela define completamente a forma de alimentação da espécie.

Marcas de campo

Os detalhes que resolvem a identificação em campo, em ordem de utilidade prática.

  • Bico longo e achatado, alargado em forma de colher na ponta
  • Plumagem rosa, mais intensa nas asas e na base da cauda
  • Varre a água em movimentos laterais de cabeça
  • Voa com o pescoço estendido, ao contrário das garças

Voz e vocalização

Grunhidos baixos e roucos, emitidos sobretudo em colônias de nidificação. Fora do ninho, é uma ave essencialmente silenciosa.

Características físicas

O bico espatulado é revestido internamente por receptores táteis extremamente sensíveis. A ave varre a água de um lado para o outro com o bico entreaberto e fecha as mandíbulas ao detectar contato, sem precisar ver a presa.

O rosa da plumagem vem de carotenoides obtidos na dieta, sobretudo de crustáceos. Aves jovens são quase brancas e a cor se intensifica com a idade e com a qualidade da alimentação, exatamente como acontece com os flamingos.

Habitat

Ocupa áreas alagadas rasas: baías pantaneiras, campos inundados, lagoas costeiras, manguezais, estuários, salinas, várzeas amazônicas e açudes.

A exigência central é água rasa o suficiente para caminhar e rica em invertebrados. Manguezais e lagoas costeiras do Nordeste e do Sudeste, além do Pantanal, concentram as maiores populações brasileiras.

Alimentação

Alimenta-se de crustáceos pequenos, peixes miúdos, insetos aquáticos, moluscos e larvas. Os crustáceos são particularmente importantes, porque fornecem os pigmentos responsáveis pela coloração rosa.

Forrageia caminhando lentamente em água rasa, com o bico submerso e entreaberto, varrendo em arcos laterais. Grupos frequentemente forrageiam alinhados e avançam na mesma direção, o que aumenta a eficiência ao levantar presas do fundo.

Comportamento

É uma ave gregária, que se alimenta e nidifica em grupos. Bandos de dezenas de aves são comuns em áreas alagadas produtivas, e frequentemente se misturam a garças, cabeças-secas e guarás.

Em voo, mantém o pescoço estendido, ao contrário das garças, que voam com o pescoço recolhido em S. Essa diferença é um dos critérios mais úteis para identificar pernaltas a distância no Brasil.

Reprodução

Nidifica em colônias mistas com garças, biguás e outras aves aquáticas, geralmente em árvores e arbustos sobre água ou em ilhas. O ninho é uma plataforma de galhos relativamente rasa.

A postura tem dois a quatro ovos esbranquiçados com manchas. A incubação dura cerca de 22 dias e é feita por ambos os pais. Os filhotes nascem com o bico reto, que só assume a forma de colher ao longo do desenvolvimento.

Distribuição geográfica

Ocorre em todas as regiões brasileiras, com maior abundância no Pantanal e na faixa costeira do Nordeste e do Sudeste. Registros no interior seguem grandes áreas alagadas e represas.

Fora do Brasil, distribui-se do sul dos Estados Unidos à Argentina e ao Chile. É a única espécie de colhereiro das Américas; as demais do gênero Platalea ocorrem na Europa, na Ásia, na África e na Oceania.

Curiosidades

  • Os filhotes nascem com o bico reto e a forma de colher se desenvolve gradualmente, o que faz jovens recém-saídos do ninho parecerem outra espécie.
  • O rosa da plumagem vem dos crustáceos da dieta, mesma origem da cor dos flamingos. Aves em cativeiro sem dieta adequada perdem a coloração.
  • Alimenta-se sem ver a presa, usando exclusivamente receptores táteis no interior do bico espatulado, o que permite forragear em água completamente turva.
  • Voa com o pescoço estendido, característica que separa treskiornitídeos de garças a qualquer distância.

Como observar

Onde e quando procurar

Fácil no Pantanal e em lagoas costeiras. A Transpantaneira, o Parque Nacional de Jericoacoara, a Lagoa do Peixe, no Rio Grande do Sul, e manguezais do litoral norte de São Paulo rendem registros com facilidade. Procure áreas de água rasa no começo da manhã e observe o movimento lateral de varredura, que é inconfundível mesmo a grande distância.

Estado de conservação

Pouco preocupante (LC — População estável e ampla, sem risco imediato.)

Classificada como Pouco preocupante, com população estável. As ameaças são a drenagem de áreas alagadas, a poluição de estuários, a ocupação de manguezais e a perturbação de colônias de nidificação. A espécie foi historicamente caçada pelas penas e recuperou-se após a proibição do comércio.

Sobre esta ficha

Texto original produzido para o Taxogre a partir de literatura ornitológica brasileira, listas taxonômicas de referência e avaliações de estado de conservação. A metodologia e as fontes consultadas estão descritas na página de metodologia. Encontrou uma imprecisão? Envie uma correção.