60 espécies descritas em fichas completas 10 endêmicas do Brasil 7 biomas mapeados 5 em risco de extinção
Comum em cidadesFácil de observar Aves aquáticas e pernaltas

Irerê

Dendrocygna viduata

Também chamada de marreca-irerê, paturi, marreca-viúva.

Marreca de face branca e assobio inconfundível, forma bandos de milhares de aves e é uma das poucas aves aquáticas que se dão bem em lagos urbanos.

Irerê (Dendrocygna viduata)

Via Wikimedia Commons

Nome científico
Dendrocygna viduata
Família
Anatídeos (Anatidae)
Ordem
Anseriformes
Tamanho
38 a 44 cm de comprimento total
Peso
500 a 750 g
Envergadura
cerca de 85 cm
Alimentação
Granívora, Onívora
Atividade
Crepuscular
Conservação
Pouco preocupante

Descrição geral

O irerê é uma marreca de porte médio com um padrão de cores nítido: face e garganta em branco puro, nuca e alto da cabeça negros, peito castanho-ferrugíneo, flancos finamente barrados de branco e preto, e ventre negro.

As pernas são longas para um anatídeo, e a postura é mais ereta que a das marrecas típicas, o que dá à ave uma silhueta um pouco de ganso. O assobio agudo e trissilábico, emitido sem parar em voo, é a marca sonora mais confiável e dá nome ao grupo das marrecas-assobiadeiras.

Marcas de campo

Os detalhes que resolvem a identificação em campo, em ordem de utilidade prática.

  • Face e garganta brancas contrastando com nuca negra
  • Peito castanho-ferrugíneo e flancos barrados de branco e preto
  • Pernas longas e postura ereta, silhueta de pequeno ganso
  • Assobio agudo trissilábico constante em voo

Voz e vocalização

Um assobio agudo e trissilábico, claro e melodioso, emitido constantemente em voo e no chão. É o som que dá nome à espécie e à subfamília das marrecas-assobiadeiras.

Características físicas

As pernas relativamente longas permitem caminhar bem em terra firme e pastar vegetação, comportamento incomum entre marrecas. O bico é curto, largo e achatado, com lamelas internas que filtram sementes e material vegetal da água.

Ao contrário de muitos patos, machos e fêmeas têm plumagem idêntica. A espécie também não apresenta a muda dramática de plumagem nupcial característica dos patos do hemisfério norte.

Habitat

Ocupa áreas alagadas rasas de água doce: baías pantaneiras, lagoas, açudes, banhados, arrozais, represas, várzeas e lagos de parques urbanos.

É uma das aves aquáticas mais tolerantes à presença humana no Brasil e forma populações estáveis em lagos de parques em capitais como Brasília, Goiânia e São Paulo, onde convive com o público sem grande alarme.

Alimentação

A dieta é predominantemente vegetal: sementes de gramíneas aquáticas e terrestres, arroz, grãos, brotos, folhas e tubérculos. Complementa com moluscos, insetos aquáticos e crustáceos pequenos.

Forrageia em água rasa, filtrando o substrato com o bico, e também pasta em terra firme. Em regiões de arroz irrigado, é considerado praga por produtores, embora o impacto real seja objeto de discussão.

Comportamento

É intensamente gregário. Bandos podem reunir de dezenas a milhares de aves em áreas alagadas produtivas, e a concentração no Pantanal e nos banhados do Sul durante a seca é espetacular.

A atividade é concentrada no crepúsculo e à noite, com deslocamentos entre áreas de descanso diurno e áreas de alimentação noturna. O assobio constante em voo é o mecanismo de coesão do bando na escuridão.

Reprodução

Constrói ninho no solo, em vegetação densa próxima à água, e ocasionalmente usa cavidades de árvore. O ninho é forrado com penugem arrancada do próprio peito da fêmea.

A postura é grande, com seis a doze ovos, incubados por ambos os pais por cerca de 27 dias. Os filhotes nascem cobertos de penugem, caminham e nadam poucas horas depois e seguem os pais em fila. Ambos os pais cuidam da ninhada, comportamento incomum entre anatídeos.

Distribuição geográfica

Presente em todos os estados brasileiros, com maior abundância no Pantanal, no Cerrado e nos banhados do Sul. A espécie realiza deslocamentos regionais conforme a disponibilidade de água, mas não é migratória em sentido estrito.

Fora do Brasil, ocorre da Costa Rica à Argentina e também na África subsaariana e em Madagascar. É uma das poucas aves com populações naturais em ambos os lados do Atlântico Sul.

Curiosidades

  • Ocorre naturalmente na América do Sul e na África, uma distribuição transatlântica raríssima entre aves de água doce.
  • Ambos os pais cuidam dos filhotes, comportamento incomum entre patos e marrecas, em que geralmente só a fêmea assume o cuidado.
  • O assobio agudo dá nome à subfamília das marrecas-assobiadeiras e é o som mais confiável de identificação, mesmo à noite.
  • Bandos no Pantanal e nos banhados gaúchos podem reunir milhares de aves, formando uma das maiores concentrações de aves aquáticas do Brasil.

Como observar

Onde e quando procurar

Muito fácil. Lagos de parques urbanos em Brasília, Goiânia, Campo Grande e várias cidades do interior têm bandos residentes. No Pantanal e nos banhados do Rio Grande do Sul, as concentrações durante a seca são impressionantes. O assobio permite localizar bandos em voo mesmo sem visão direta.

Estado de conservação

Pouco preocupante (LC — População estável e ampla, sem risco imediato.)

Classificada como Pouco preocupante, com população grande e estável. As ameaças são a caça ilegal, a drenagem de banhados e o uso de agroquímicos em arrozais. A espécie tolera bem ambientes urbanos e agrícolas, o que sustenta sua abundância.

Sobre esta ficha

Texto original produzido para o Taxogre a partir de literatura ornitológica brasileira, listas taxonômicas de referência e avaliações de estado de conservação. A metodologia e as fontes consultadas estão descritas na página de metodologia. Encontrou uma imprecisão? Envie uma correção.